Augusto Cury

CONHEÇA AUGUSTO CURY, O AUTOR MAIS LIDO DO BRASIL

CONHEÇA AUGUSTO CURY, O AUTOR MAIS LIDO DO BRASIL

 Ricardo Geromel, contribuidor em Forbes

 

Inovação, Brasil e Bilhões

Augusto Cury é um nome de peso no Brasil, onde nenhum outro autor vendeu, neste século, tantos livros quanto ele, de acordo com várias fontes na indústria de publicação local. Cury publicou mais de 50 livros, uma média de quase 3 por ano desde o seu primeiro em 1999.

 

Quatro dos livros de Cury constam na lista de best-sellers publicada pela VEJA, a revista de notícias semanais líder no Brasil. Seu livro Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século já está nessa lista há 180 semanas não consecutivas. É um fato amplamente noticiado que ele já vendeu mais de 30 milhões de exemplares somente no Brasil. Os números de Cury são ainda mais impressionantes se levarmos em consideração que 44% dos brasileiros não leem regularmente e 30% dos brasileiros nunca compraram um livro.

Pascoal Soto, um veterano da indústria editorial no Brasil, que trabalhou no lançamento, no Brasil, de editoras europeias como Leya, Editora Planeta, e atualmente trabalha para a editora brasileira Sextante, afirma que “Cury já vendeu mais de 30 milhões de livros, e aposto com você que ele vai vender mais de 50 milhões até o final da década. Ele é uma força da natureza. Até Paulo Coelho não chega perto do quanto ele vende. Pelo menos não no Brasil”. O livro O Alquimista de Paulo Coelho esteve na lista de mais vendidos do The New York Times por 425 semanas não consecutivas (dados de julho de 2017). Entretanto, na terceira semana de agosto de 2017, nenhum dos livros de Paulo Coelho está na lista de mais vendidos da VEJA.

 

Um dos maiores sucessos de vendas de Cury, O Vendedor de Sonhos, foi adaptado para o cinema numa megaprodução da Warner Brothers Pictures e Fox International Pictures, estrelando o ator brasileiro Dan Stulbach. Embora seus livros tenham sido traduzidos e publicados em mais de 70 países, Cury não é muito conhecido nos Estados Unidos. Isso está para mudar em breve, já que, como Cury me contou “Jim Carrey tem o livro em suas mãos e está empolgado para produzir uma versão em Inglês. Os estúdios de Hollywood estão interessados em transformar meu livro O Homem Mais Inteligente da História em um programa de TV. A Amazon me convidou para iniciar o primeiro canal de vídeo focado em ‘gerenciamento de emoções’ que será distribuído internacionalmente”.

 

Cury tem mais de 1,8 milhões de seguidores no Facebook e não é só um escritor como também um médico psiquiatra, palestrante e empreendedor. Ele fundou a Escola da Inteligência, que em suas próprias palavras “visa revolucionar a educação formal pela aplicação da Teoria da Inteligência Multifocal (desenvolvida por Cury) para ensinar emoções e inteligência nas escolas com melhorias extraordinárias na aprendizagem global, relações interpessoais e envolvimento familiar na formação holística dos alunos. O programa atende diretamente mais de 250,000 alunos em mais de 500 escolas no Brasil e está sendo implementado em outros países ao redor do mundo”.

Cury esteve recentemente nos Estados Unidos onde deu palestras para centenas de pessoas na Flórida, Nova Jérsei e Califórnia. Uma das celebridades mais famosas que ele orienta é Kaka, que foi nomeado o melhor jogador de futebol pela FIFA e atualmente joga pelo Orlando City FC. Eu sentei com Augusto Cury por algumas horas antes de ele entrar no palco para fazer seu discurso à mais de 200 pessoas na Bay Area. Um trecho da nossa conversa em Português pode ser assistido aqui(link), cortesia de Mauricio Benvenutti, que lidera o StartSe, uma empresa que estimula o ecossistema de empreendedorismo brasileiro e conecta o Brasil à Bay Area e vice-versa. A entrevista que se segue foi traduzida por mim e editada para ficar concisa e clara.



Em suas próprias palavras, quem é Augusto Cury?



Augusto Cury: Eu sou só um andarilho procurando pelo endereço mais importante, um que poucos podem encontrar, o endereço dentro de mim mesmo. Eu sou o autor da teoria sobre o processo da formação do pensamento, a criação do “Eu” como o autor da sua própria história e do processo de formação de grandes pensadores. Eu compartilho conhecimento num país que não valoriza cientistas ou ciências. Eu nasci em uma cidade em que não havia livrarias. Ninguém me deu apoio quando eu escrevi meus primeiros livros. As pessoas diziam que eu era maluco por querer escrever livros. Elas diziam que um médico deveria se preocupar em cuidar de fígados, cérebros e corações. Elas diziam que um médico não deveria se concentrar no mundo das ideias, não deveria focar em filosofia da criatividade, em como os seres humanos podem libertar sua imaginação para criar respostas para suas situações de estresse. Ainda assim, aqui estou.

 

 

 

 

Como tudo começou?

 

O caos é essencial para a formação de grandes ideias. Entre o segundo e o terceiro ano da faculdade de medicina, eu sofria muito com ansiedade. Eu estava profundamente deprimido. Eu percebi que as lágrimas que nós não choramos são as mais importantes. Aqui no vale do silício, muitas das grandes startups não nasceram exatamente no vale do silício, mas sim no vale da ansiedade, no vale da dor, no vale das perdas, de uma necessidade intensa de mudar o mundo. Essas experiências levam a um tipo mais complexo de pensamento, que não é aquele amplamente utilizado nas faculdades de medicina ao redor do mundo. Não é o de Harvard, Cambridge, Oxford, MIT e Stanford. Não é o jeito linear, dialético, lógico que usa o símbolo da linguagem. É o processo anti-dialético em que se produz pensamentos imaginários que se rebelam contra o pensamento tradicional. Quando eu passei pelo caos, desenvolvi esse tipo de pensamento. Eu não estava gerando conhecimento. Eu estava gerando milhares de perguntas. Eu me perguntava: quem sou eu? O que sou eu? Por que estou me sentindo tão ansioso? Por que eu não controlo as minhas emoções? Nós dirigimos carros e dirigimos empresas. Por que não podemos administrar a empresa mais complexa, a mente humana?

Milhares de perguntas como estas me fizeram mergulhar nas partes mais profundas da minha mente. Grandes pensadores como Freud, Piaget, Vygotsky, Schopenhauer ou extremistas como Nietzsche, Sartre e outros - eram brilhantes! Entretanto, eles não estudaram os pensamentos de maneira sistemática, nem estudaram o gerenciamento de diferentes tipos de pensamentos. Então eu ousei ir naquela direção.

 

 

O seu primeiro livro foi publicado em 1999. Nos últimos 18 anos você publicou mais de 50 livros. Como você conseguiu esse feito?

 

Antes de publicar meu primeiro livro, eu já tinha escrito mais de 3.000 páginas num período de 25 a 30 anos. Poucos me apoiavam no começo, mas eu sabia que tinha que escrever. Eu escrevo em média 3 livros por ano. Já escrevi mais ou menos 1.500, 2.000 páginas que ainda não foram publicadas. Então há ainda muito mais pela frente. Eu vou diminuir minha agenda, dar menos palestras para que eu possa focar ainda mais na escrita. Eu pretendo lançar O Homem Mais Feliz do Mundo em outubro.

Eu não defendo ou sigo nenhuma religião específica. Entretanto, depois que eu estudei a mente de Jesus Cristo, sua inteligência ficou evidente para mim. Eu percebi que nós deveríamos pesquisar a mente de Jesus Cristo usando ferramentas científicas. Que erro é não estudar a mente mais brilhante que já existiu nesta terra. Nós precisamos estudar a sua mente, não pelas lentes da religião, mas pelas lentes da ciência. Por exemplo, no discurso mais importante de Jesus, o Sermão da Montanha, ele apresenta as chaves para desenvolver criatividade.

 

 

 

Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, teria dito que “só o empreendedorismo pode salvar o Brasil”. Por que a mentalidade empreendedora é importante? Como nós podemos desenvolver empreendedorismo?

 

Humildemente, eu desenvolvi teorias em uma área que muitos líderes brilhantes, que eu admiro, não desenvolveram: a construção de pensamentos e o processo de formação de pensadores. Como nós estamos produzindo em larga escala a próxima geração de empreendedores quando nossos sistema educacional atual nos ensina a simplesmente repetir o que nos ensinaram? Mesmo em programas de mestrado e doutorado nós estamos criando um grupo de pessoas que são especialistas em repetir informação, não em criar novas ideias. Acima de tudo, nós precisamos desenvolver a habilidade de pensar por nós mesmos.

Primeiramente os humanos precisam aprender como lidar com o risco. Aqueles que ganham sem correr riscos, triunfam sem glória. Todos os que tentam se proteger, evitando erros, estão em grande desvantagem competitiva. Erro é essencial para se atingir níveis altos de sucesso.

Segundo, é importante saber que céu e inferno andam lado a lado do empreendedor. Deve-se entender que sucessos e derrotas, aplausos e vaias, riso e lágrima, todos fazem parte do jogo que é ser humano. Os altos e baixos aceleram a criatividade. Quando estiver enfrentando o vale das lágrimas e fracassos, a dor deve ser usada como um fator para te ajudar a crescer. Muitas pessoas falam sobre o termo resiliência sem se dar conta do significado mais profundo desse termo. Resiliência é aprender a lidar com as lágrimas e nossa própria loucura. Resiliência é aprender a se reinventar quando o mundo cai. Resiliência é a chave para o sucesso de verdade.

Terceiro, todas as principais decisões da vida são tomadas quando estamos sós. Quando estiver tomando as decisões mais importantes na sua vida, você não pode esperar um apoio amplo. As decisões-chave são fora do comum e elas geram rejeição. Você pode ser chamado de louco ou percebido como um fracassado no processo. As decisões críticas que podem levar à criação de startups, às descobertas científicas, são de natureza íntima. Não espere aplauso ou aprovação dos outros.

Quarto, nós precisamos nos rebelar contra convenções, precisamos libertar nossos pensamentos anti-dialéticos e nossa imaginação. As pessoas que são lógicas, que pensam racionalmente, estão em desvantagem porque elas só reagem a ações. A lógica ação-reação é ótima para a física, mas é um desastre nas relações humanas. Pensar fora da caixa é produzir pensamentos anti-dialéticos que não utilizem o símbolo da linguagem.

Antes de entrar na escola as crianças têm tantas perguntas. Depois de passar um tempo na escola, elas começam a fazer menos perguntas. O sistema educacional atual intoxica as crianças com o jeito dialético, linear e lógico de pensar.

Os computadores foram feitos para repetir informação. A mente humana foi feita não para repetir, mas para criar cores e sabores. Os professores deveriam defender a criatividade ao invés da pura memorização e repetição, que são as normas atuais. A mente humana não foi feita para simplesmente repetir, foi feita para se reinventar, para distorcer o passado e re-imaginar o presente. As melhores universidades dos Estados Unidos escolhem seus alunos baseadas num exame lógico e num currículo acadêmico. Jobs e Einstein não seriam aceitos em escolas de ponta com tal sistema. Sucesso no sistema acadêmico atual não tem necessariamente a ver com ser um pensador ou criador. Muitas vezes é o oposto disso. Outro elemento vital a se considerar: não é a quantidade de dados que determina a qualidade de novas ideias. Steve Jobs não tinha nem terminado a faculdade! Ele se rebelou contra as convenções. Ele tinha menos conhecimento, ele era menos culto que a maioria de seus colegas que trabalhavam para ele. Independentemente de seu caráter, como ele desenvolveu uma mente tão brilhante? É a organização dos dados, não a quantidade, que determina a qualidade das ideias.

Empreendedores, lembrem-se disso. Não é a quantidade de dados que importa. É imaginar um mundo com novas possibilidades.

 

 

Cury e a importância de sonhar

 

 

Sonho sem disciplina gera pessoas frustradas. Disciplina sem sonho gera pessoas automatizadas que só seguem os outros. Liberte a sua imaginação. Ouse sonhar em chegar à lua para que você consiga chegar ao topo das montanhas. Sonhos não são desejos. Desejos são intenções superficiais. O desejo de se apaixonar, de ter um grande amigo, de começar uma empresa inovadora… se eles são simplesmente desejos, eles não irão resfriar as altas temperaturas de algumas segundas-feiras quentes. Desejos não curam o tédio. Desejos não apagam crises. Pessoas que só tem desejos, e não sonhos, são muitas vezes entediadas ou vazias. Um sonhador tem fome de vida. Um sonho não é uma intenção superficial, mas um projeto de vida. Por favor, sonhem muito! Por favor sonhem em mudar a humanidade, porque se seus sonhos são egoístas e egocêntricos somente, então vocês não têm sonhos sustentáveis. Tenha o sonho de ganhar muito dinheiro enquanto também faz do mundo um lugar melhor. Dessa forma, quando os desafios vierem e o seu mundo cair, você terá o poder para se levantar com dignidade e lutar pelos seus sonhos.

 

 

Por que o Vale do Silício?

 

Estou aqui para oferecer treinamento de liderança no Vale do Silício. Espero que os grandes nerds e líderes locais do Vale do Silício participem do meu treinamento. Estou ensinando a galera sobre o gerenciamento das emoções. Inteligência Emocional é como uma enorme montanha que você primeiro precisa explodir. Então, você pode começar a separar as rochas que irão construir prédios imensos de Inteligência Emocional. Aqui no Vale do Silício, grandes empresas foram construídas sem escola que ensinasse aos empreendedores como gerenciar suas emoções. Os empreendedores aprenderam o básico do empreendedorismo: eles adoram erros e estimulam uns aos outros. Eles sabem que é vital se rebelar contra convenções. Entretanto, não ensinaram a eles como gerenciar suas emoções. Não ensinaram o básico de como proteger sua mente enquanto liberam pensamentos anti-dialéticos para se tornar o protagonista da sua própria história. Eu espero voltar para ajudar outros a aprender como gerenciar suas emoções.

 

 

Pesquisas recentes revelam que 94% dos brasileiros não se sentem representados por nenhum político em quem eles votaram. Há uma percepção que a desigualdade segue crescendo ao redor do mundo. O sistema, como conhecemos, está ruindo? Essas desconexões profundas podem ser revertidas?

 

 

O capitalismo está sendo desafiado de dentro para fora. Na era da indústria do entretenimento, estamos enfrentando uma epidemia de suicídios e abuso de drogas. Nós nunca tivemos uma indústria do entretenimento tão poderosa, ainda assim ao mesmo tempo, não nunca tivemos uma geração tão triste. A medicina, a psicologia e a psiquiatria têm se desenvolvido a passos largos; mesmo assim, a humanidade está extremamente frágil em suas emoções. Uma em cada duas pessoas, ou metade da população do mundo, vai desenvolver algum tipo de desordem psicológica. Entretanto menos de 0,5% procuram tratamento.

Nós estamos na era das “pessoas sem emoção”. Por quê? Porque emoção não respeita uma simples equação matemática - ter não é sentir. Uma pessoa pode viver numa mansão e ser miseravelmente triste. Nós vivemos numa era de emoções miseráveis onde as pessoas precisam de muitos eventos para sentir migalhas de prazer. Uma pessoa realmente rica faz muito com pouco. Sucesso de verdade é ser feliz, é ser eternamente jovem nas emoções. Acumulação pura e simples de riqueza material não irá levar a felicidade. Você encontrará significado quando começar a enxergar o espetáculo das coisas pequenas.

Frequentemente a vida traz coisas inesperadas. Haverá, certamente, muitas crises. Nós deveríamos receber esses revezes que a vida nos dá como oportunidades para crescer. Não se puna. Ao invés, se dê tantas chances quanto precisar para se reinventar. Não tente ser um super-herói. Viva sua vida tentando descobrir quem você é. Transforme um sorriso em um momento único. Vá dizer aos que você ama, “Eu aposto em você, eu preciso de você, eu te amo. Obrigado por estar do meu lado! ”. Antes de se apaixonar por alguém, se apaixone por você mesmo. Vale a pena viver mesmo quando o seu mundo está em pedaços. Quando você cai, quando parece que não vale a pena viver, não tenha medo e não ponha um ponto final, ponha uma vírgula. Eu explico isso nos meus livros O Vendedor de Sonhos e O Homem Mais Inteligente da História. Os capítulos mais importantes da sua vida serão escritos nos dias mais difíceis. Nosso sistema vai, definitivamente, evoluir e é de suma importância que nós aprendamos a gerenciar nossas emoções.

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